Você não precisa de muitas roupas

Você sabe a origem das roupas que usa? Ou como foram feitos os sapatos que calça? Essa é a reflexão proposta pelo movimento global Fashion Revolution Week, que acontece em 92 países – de 24 a 30 de abril. 

A data não foi escolhida aleatoriamente. Em 24 de abril de 2013, 1.133 pessoas morreram quando o complexo de fábricas Rana Plaza desabou em Dhaka, Bangladesh. Muitos outros ficaram feridos. Do desastre, surgiu o movimento Fashion Revolution, em Londres, criado pelas designers e ativistas Carry Somers e Orsola de Castro. O objetivo é discutir e refletir sobre o que há por trás da indústria da moda, em todos os seus processos de desenvolvimento, da fabricação ao uso.

Hoje, catástrofes sociais e ambientais continuam acontecendo na indústria da moda, em vários lugares do mundo. O objetivo do Fashion Revolution Day é dar um basta a essa situação. Como consumidores, não sabemos mais quem faz nossas roupas e não sabemos o verdadeiro custo das coisas que compramos. Precisamos de mais transparência, já que a compra é só o último passo em uma longa jornada que envolve centenas de pessoas. O Fashion Revolution Day – 24 abril (as discussão vão até o dia 30) – é o dia em que estilistas, celebridades, lojas e marcas de todos os tipos, produtores de algodão, operários, ativistas, ONGs, jornalistas – e qualquer pessoa que se preocupa com o que veste – se reúnem para dizer o mesmo. As pressões e complexidades da indústria global tornam a sustentabilidade difícil, mas a campanha tem esse propósito, apresentar soluções sustentáveis realistas.

A intenção é mostrar ao consumidor como funciona a cadeia produtiva de uma peça de roupa: desde o agricultor que cultivou o algodão que dá origem aos tecidos até o costureiro. É uma forma de reconhecer o real valor da etiqueta daquilo que vestimos.

Para colocar o plano, de um mundo da moda melhor, em ação, a pergunta é simples: Quem fez minhas roupas?. Para participar e ajudar a divulgar, é só vestir uma peça de roupa do lado avesso, fotografar e compartilhar com a hashtag #whomademyclothes (#quemfezminhasroupas?).

Para saber mais detalhes desse movimento, entre no site (CLIQUE AQUI) e também na página do Facebook (CLIQUE AQUI).

The True Cost

Na Netflix, tem o documentário ‘The True Cost’, que mostra de forma bem didática porque algumas roupas que compramos, principalmente em lojas “fast fashion“, têm preços tão baixos. Para isso, há pessoas pagando com a própria vida. O documentário é um verdadeiro soco no estômago, que expõe as condições precárias e desumanas em que essas roupas são produzidas por trabalhadores na China, Bangladesh e Índia. 

O documentário também traz referências do acidente em Bangladesh, quando mais de mil pessoas morreram. Tem, inclusive, o depoimento de uma das vítimas. É impactante.

Aposto que você vai pensar duas vezes antes de comprar uma blusinha nas lojas de ‘fast fashion’.

The Minimalism

Ainda sobre o tema, você já ouviu falar no Minimalismo? Vou confessar que a primeira vez que vi isso foi no Orkut (entregando a idade). Lembra que tinha uma pergunta no perfil “qual o seu estilo”? Entre as opções tinha “minimalista”. 

Mas só fui pesquisar mais sobre o assunto recentemente, principalmente, depois de assistir ao documentário ‘Minimalismo: um documentário sobre coisas importantes‘. O documentários mostra a rotina de Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus, autores e fundadores do site The Minimalists e mostra como pessoas comuns que escolheram ser minimalistas vivem, afirmando que não é apenas um estilo de vida para quem é solteiro e sem filhos. Entre os entrevistados tem um pai de seis filhos que é minimalista.

O objetivo do documentário é mostrar como podemos viver com poucas coisas. Ou melhor, nos faz refletir como conseguimos viver com tanta coisa desnecessária. O minimalismo não é simplesmente um movimento contra o consumismo, até porque é quase impossível não consumirmos nada, não compramos nada. A ideia é combater o consumismo desnecessário, desenfreado, compulsivo e irresponsável. Seja sincero, quantas vezes você já comprou algo que não precisa? No seu armário, tem roupas que você não usa há mais de um ano?

O interessante desse movimento do Minimalismo é que a intenção não é só eliminar o consumo inconsciente, de coisas que você não precisa, mas também de eliminar pensamentos, atitudes e até mesmo pessoas que te fazem mal. Por que continuar a amizade com uma pessoa que só te deixa para baixo, que só te critica, que não é sua amiga de fato? 

O minimalismo é um estilo de vida. É manter na sua vida só o que é necessário, seja roupa, sapato, bolsa, papéis…até pessoas, pensamentos, atitudes. Vale a pena conhecer um pouco mais.

Além do site do site da dupla Joshua Fields Millburn e Ryan Nicodemus (CLIQUE AQUI), também tenho lido o blog “Sou Minimalista” (CLIQUE AQUI) e acompanhado o canal do Youtube da Luiza Ferro (CLIQUE AQUI), do blog Sem Moldura (CLIQUE AQUI).

Você usa todas as roupas que estão no seu armário?

Eu não sou minimalista e também não acho que seja algo simples de conquistar. Ninguém vira minimalista do dia para noite, afinal de contas, fomos criados numa sociedade capitalista, de consumo exagerado. Compramos por impulso, compramos coisas desnecessárias e nem sempre conseguimos nos desapegar de alguns objetos. Quem não tem uma roupa que não usa há um tempão? Quem não tem mania de guardar papéis dizendo que um dia serão úteis?

Não tenho pretensões de ser uma pessoa 100% minimalista, mas tenho aplicado algumas ideias, principalmente, no guarda-roupas. Fiz um limpa geral no meu guarda-roupas. Tirei tudo o que não uso há bom tempo. Ficou muito mais clean! É incrível a quantidade de itens desnecessários que acumulamos.

Experimente isso em casa. Tire TUDO do armário e separe o que “você usa”, o que “não usa há um ano”, “o que não serve”, “o que você não gosta, mas guarda”. Depois, separe “o que você vai doar”, “o que pode vender” e “o que vai ficar no guarda-roupas”. A rainha da arrumação é a Marie Kondo (CLIQUE AQUI). No livro dela, tem dicas de como deixar o seu guarda-roupas mais funcional. 

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Você consegue viver com apenas 37 peças de roupas?

É engraçado como mesmo com muitas roupas sempre vestimos as mesmas. Eu pelo menos tenho esse problema. Vira e mexe estou sempre com as mesmas combinações. Talvez por preguiça de pensar em novas opções ou por simplesmente gostar muito das mesmas.

Você já pensou em ter apenas 37 peças de roupas? Parece surreal, mas para blogueira norte-americana Caroline Recton (CLIQUE AQUI) foi uma libertação. Depois de de esbaldar na Black Friday (aquela sexta-feira com promoções incríveis…mas que só existe verdade nos EUA) de 2013 e chegar em casa com várias sacolas, ela percebeu o quanto aquilo era desnecessário. 

“Voltei para casa com uma bagunça de roupas que não contribuíram em nada para o meu estilo ou minhas necessidades – e imediatamente isso virou parte de um problema maior. Há pouco tempo, eu havia notado que tinha o péssimo hábito de comprar como uma forma de sobrepor um sentimento ruim com uma pequena gratificação instantânea.” Caroline Recton.

Depois de perceber o quanto estava consumindo de forma desenfreada, Caroline pesquisou como encontrar o próprio estilo e encontrou o conceito que ajudaria a disseminar. A ideia de “capsule wardrobe” (guarda-roupa cápsula) foi criada nos anos 1970 por Susie Faux, dona de uma boutique em Londres. A ideia era exatamente a mesma de hoje: poucas peças versáteis e de acordo com o próprio estilo que, sozinhas, dão conta de toda uma temporada (verão, outono, inverno e primavera).

Na “aventura” de reinventar o próprio guarda-roupa – tem tudo no blog dela -, Caroline diz que, além de ter finalmente conseguido definir o que do seu guarda-roupa tinha realmente a ver com ela, passou a economizar tempo na hora de se vestir e a fazer menos compras por impulso.

O sucesso foi tanto que Carol Recton passou a disponibilizar, no blog, um arquivo para download que é uma espécie de guia para o armário cápsula (CLIQUE AQUI). O passo a passo começa ao tirar tudo do guarda-roupa e segue por exercícios de definir o seu estilo com algumas palavras, peças preferidas, lojas, orçamento, uma pequena lista de compras para a estação.

O passo a passo:

1. Reduza seu guarda-roupa a 37 peças
Elas devem incluir blusas, partes de baixo, vestidos, casacos e sapatos. Elas não devem incluir: roupas de ginástica, acessórios, bolsas, biquínis, pijamas e roupas de ficar em casa. No blog, Carol explica que 37 não é exatamente uma regra – você pode encontrar o seu número perfeito. Ela gosta das 37 porque consegue incluir nove sapatos, nove partes de baixo e 15 blusas, além de dois vestidos e dois casacos. “Para mim, parece generoso, mas ainda assim minimalista”, diz.

2. Use apenas essas peças durante um período pré-determinado
A blogueira definiu três meses (uma estação) para que as peças sejam trocadas. No Brasil, onde as estações não são tão definidas, você pode separar por “inverno” e “verão”, ou “seca e “chuva”. Vale testar e se adaptar.

3. Não faça compras nesse período
Nenhuma.

4. Nas duas últimas semanas da estação, planeje o armário da próxima
Faça uma lista do que você precisa e vá às compras, se precisar. Mas tenha em mente que quanto menos, melhor. “O quanto você compra para a próxima estação você é quem sabe, mas lembre-se de que esse é um desafio minimalista. Então, menos é mais, sabe?!”, ensina Carol. Ela geralmente compra entre quatro e oito novas peças.

Comprar Comprar Comprar

Sinceramente, não acho que seja fácil ter apenas 37 peças de roupas…Mas também não acho impossível. É um grande desafio de desapego e controle e um ótimo exercício para treinar a criatividade na hora de montar os looks. 

A ideia desse texto não é criticar quem compra demais ou quem tem um super guarda-roupas. O objetivo é mostrar que, geralmente, guardamos coisas desnecessárias e compramos por impulso, sem necessidade alguma. Às vezes, é bom parar e refletir um pouco sobre o que estamos comprando e porque estamos comprando. 

Faça uma limpeza geral no seu guarda-roupas e na sua vida! Elimine tudo o que não te faz bem. =)

Atualização!

Me falaram sobre o caso da participante do Masterchef Caroline Martins que foi criticada “por usar sempre a mesma roupa e a mesma bota”. Fiquei chocada com a história, mas muito feliz com a resposta dela e a repercussão super positiva.

Segue o link da matéria do site Elle sobre o caso: http://elle.abril.com.br/moda/e-possivel-ser-feliz-com-seis-pecas-de-roupa/ (Aqui no texto eu falei de um guarda-roupas de 37 peças. Já matéria da Elle diz que é possível ser feliz com SEIS peças de roupas!)

Juliana Amorim

Jornalista apaixonada por blogs, Instagram e suculentas. Se casou há pouco tempo e gosta de tudo sobre decoração e DIY. Não dispensa uma boa comida e sempre se empolga para qualquer viagem, nem que seja de fim de semana.

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